Off-Topic: Não tenha esperança com Política - Como se tornar imune

1 de julho de 2026 · 💬 Participe da Discussão
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Aviso antes que alguém finja que não entendeu: isto é opinião pessoal. Não é conselho financeiro, jurídico, tributário, eleitoral, matrimonial, espiritual, nem receita de bolo. Se for mexer com empresa, patrimônio, imposto, casamento, herança, residência fiscal ou qualquer coisa que possa ferrar sua vida, fale com contador e advogado de verdade. Não comigo. Não com influencer. Não com thread de Twitter.

Eleições chegando e a internet brasileira já virou arquibancada.

De um lado, camisa vermelha. Do outro, camisa amarela. No meio, gente adulta se comportando como se eleição fosse final de campeonato. Grita, xinga, cola adesivo, compartilha recorte conveniente, chama parente de burro no WhatsApp e depois acha que está “participando da democracia”.

Grande coisa.

Depois de 50 anos vendo esse filme, minha recomendação é simples: pare de torcer. Política não é pai. Partido não é família. Estado não é escudo. Eleição não é plano de vida.

Não estou dizendo pra ser alienado. Leia notícia. Entenda risco. Vote se quiser votar. Eu voto. Só não entregue sua sanidade pra isso. A sua ansiedade diária, seu textão, sua briga no grupo da família e seu voto individual não vão consertar uma estrutura que foi montada ao longo de décadas.

Não vão.

Se melhorar, ótimo. Mas planeje como se não fosse melhorar.

Política virou futebol

Brasileiro entende muito bem lealdade de time. Corinthians, Palmeiras, Flamengo, São Paulo. Seu time perde, contrata mal, faz dívida, cai pra segunda divisão, e você continua lá. Porque é identidade. Camisa. Tribo.

O problema é carregar essa cabeça pra política.

No futebol, tudo bem. É entretenimento. Na política, isso vira burrice organizada. A pessoa não defende uma política pública. Ela defende um escudo. Não muda de opinião quando aparecem números ruins. Dobra a aposta. Não quer entender dívida, imposto, inflação, câmbio, previdência, produtividade, educação, segurança jurídica. Quer saber se “o meu lado” ganhou.

Isso não serve pra nada.

Pior: deixa você vulnerável. Porque você começa a planejar a vida em cima de esperança.

“Agora vai.”

“Dessa vez muda.”

“Se tal pessoa ganhar, melhora.”

“Se tal pessoa perder, acaba.”

Pare.

Planeje como adulto. Seu plano precisa funcionar com qualquer presidente, qualquer Congresso, qualquer ministro da Fazenda, qualquer maluquice nova que inventem em Brasília.

A conta sempre chega

O Brasil tem dívida alta, gasto público alto, imposto alto, serviço ruim e regra demais. Nenhuma eleição apaga isso por decreto.

Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral fechou 2025 em 78,7% do PIB, perto de R$ 10 trilhões. Você pode discutir metodologia, critério FMI, título na carteira do Banco Central, o que quiser. Faça isso se gosta do assunto. O ponto prático continua: a conta é grande.

Quando o Estado gasta mais do que arrecada por tempo demais, a conta aparece. Aparece em imposto. Aparece em juros. Aparece em inflação. Aparece em moeda fraca. Aparece em serviço ruim. Aparece em burocracia. Aparece em investimento que não veio.

Populismo é sedutor porque promete benefício agora e manda a conta pra depois. Só que “depois” chega. Chega como IPCA. Chega como dólar mais caro. Chega como juro alto. Chega como salário que não acompanha custo de vida.

Uma confusão comum: dizer que inflação é “causada por aumento de preços”. Isso é inverter causa e consequência. O próprio Banco Central define inflação como aumento de preços e perda do poder de compra. Essa é a forma como ela aparece. A raiz, quando a inflação é persistente e espalhada, envolve moeda, crédito, demanda, expectativa e situação fiscal. O Fed de Cleveland explica a relação de longo prazo entre crescimento de moeda e nível de preços. O FMI chama um dos casos extremos de dominância fiscal: quando a dívida e o déficit começam a mandar mais que a política monetária.

Preço de supermercado subindo é sintoma. Não é a raiz.

Claro que um produto pode subir por petróleo, safra ruim, guerra, câmbio, imposto, cartel, logística. Mas abuso localizado não explica perda generalizada de poder de compra por décadas. Transformar empresa em bode expiatório é conveniente pra político. Conveniente não quer dizer verdadeiro.

Nos últimos 20 anos, pelo SGS do Banco Central, o IPCA acumulado de julho de 2006 a maio de 2026 ficou perto de 197%. Preços quase triplicaram. A PTAX venda saiu de cerca de R$ 2,16 por dólar em 30/06/2006 pra cerca de R$ 5,18 em 30/06/2026. O Real passou a comprar muito menos dólar.

Não precisa de teoria sofisticada. Basta lembrar quanto custava um mercado, um carro, um aluguel, uma escola, um plano de saúde.

O Brasil não vira Suíça em quatro anos

Outra fantasia: “agora o serviço público vai melhorar”.

Tomara. Sério. Eu torço pra que melhore. Mas não planejaria minha vida apostando nisso.

Saúde pública? Se você depende dela, espero honestamente que seja bem atendido. Mas eu não montaria meu plano familiar contando com milagre. A ANS contava cerca de 52,9 milhões de beneficiários em planos privados médico-hospitalares em março de 2026. O Censo 2022 mediu o Brasil em 203,1 milhões de pessoas. A maioria depende direta ou indiretamente do SUS e da infraestrutura pública.

Quando o sistema falha, falha em cima de gente real. O G1 noticiou em junho de 2026 o caso de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, que morreu na antessala de uma UPA no DF. Também noticiou em Sorocaba a morte de um adolescente de 14 anos que, segundo a família, esperou 18 horas em UPA. Não estou usando dois casos como estatística nacional. Estou lembrando que abstração vira corpo quando dá errado.

Educação pública? Se você tem filhos, seja brutalmente honesto: você quer apostar 15 anos da formação deles esperando uma revolução educacional que talvez nunca venha?

No PISA 2022, o Brasil fez 379 em matemática, 410 em leitura e 403 em ciências, contra médias da OCDE de 472, 476 e 485. Isso não é detalhe ideológico. É base fraca.

Eu sei que a maioria não consegue pagar plano privado e escola privada. Esse é justamente o problema. O país é caro, o serviço público é ruim, e a alternativa privada também é cara.

Negar a realidade não melhora a realidade.

Eu vi o dinheiro derreter

Eu cresci nos anos 80. Vi hiperinflação. Preço mudava no mesmo dia. Dinheiro derretia na mão. Família precisava fazer conta de sobrevivência. Depois veio Collor e o confisco.

Turma da Mônica explicando inflação para crianças

Pra quem é jovem, parece história antiga. Pra mim é memória.

Hiperinflação não cai do céu. Não é castigo divino. Normalmente começa com governo gastando mais do que pode, dívida que ninguém quer encarar e a tentação de cobrir buraco imprimindo dinheiro. Parece esperto por cinco minutos. Depois vira imposto invisível em cima de todo mundo.

Mas mesmo no caos tem gente ganhando dinheiro. Não porque é mais virtuosa. Porque entende a mecânica.

Pensa num comércio simples. Ele recebe à vista hoje e paga fornecedor em 30 dias. Se compra Cr$ 1 milhão em mercadoria e só paga o fornecedor no mês seguinte, com inflação de 30% no mês, aqueles Cr$ 1 milhão pagos depois já compram muito menos. Enquanto isso, ele vende o estoque a preço reajustado. O cliente acha que o comerciante ficou rico porque “subiu preço”. Às vezes ele só sobreviveu no intervalo. Às vezes ganhou muito no intervalo.

Agora pensa no dinheiro parado por alguns dias. Empresa recebe boletos no dia 5 e paga folha no dia 30. Se ficam Cr$ 10 milhões no caixa por 25 dias e o overnight rende perto de 1% ao dia, isso vira mais ou menos Cr$ 12,8 milhões antes da folha. A folha nominal continua ali. O ganho veio do tempo. Do float.

Banco fazia isso em escala muito maior. Captava dinheiro pagando uma taxa, emprestava ou aplicava cobrando outra, e girava volumes enormes todos os dias. Se a diferença parecia pequena, tipo alguns pontos no mês, em cima de bilhões virava fortuna. Spread e float. Nome feio pra uma coisa simples: quem recebia antes, pagava depois e sabia estacionar o dinheiro no meio ganhava. Quem recebia salário no fim do mês e corria pro supermercado perdia.

E nem precisa ser banco. Um indivíduo organizado também podia jogar melhor. Se sabe que a moeda está derretendo, não deixa tudo parado em cruzeiro esperando virar pó. Compra dólar quando consegue. Compra ação de exportadora que ganha em dólar. Usa futuro ou opção pra se proteger, não pra brincar de cassino. Exemplo simples: você tem dinheiro que só vai usar em 30 dias. Se deixa parado em moeda podre, perde. Se compra proteção em dólar e o câmbio explode, você não “ficou rico por sorte”. Você entendeu o jogo antes. Claro: opção, forex e alavancagem quebram amador mais rápido que inflação. Não é recomendação pra brincar de trader. É só o ponto óbvio: conhecimento financeiro transforma caos em oportunidade. Ignorância transforma salário em pó.

É por isso que inflação destrói pobre e desorganizado primeiro. Quem vive de salário fixo chega atrasado na corrida. Quem entende prazo, estoque, dívida, caixa e moeda joga outro jogo.

Foi nesse ambiente que veio o Plano Collor. Pra tentar controlar a hiperinflação na marra, o governo fez algo brutal: tirou liquidez das pessoas à força. O Senado resume: a MP 168/1990 bloqueou por 18 meses valores acima de NCz$ 50 mil em contas, poupanças e aplicações financeiras. Na prática, famílias e empresas acordaram com o próprio dinheiro preso pelo Estado. Décadas depois, Collor voltou à política e foi senador por Alagoas.

Essa é uma aula que brasileiro deveria tatuar na testa: não espere que “a justiça” venha. Não espere que quem destruiu vidas pague proporcionalmente. Não espere que o sistema reconheça seu esforço e te proteja.

O sistema protege o sistema.

Você protege você.

Pare de terceirizar sua vida

Seu plano não pode depender de eleição.

Se eu tivesse que resumir minha estratégia, seria algo assim:

  • aprenda inglês de verdade;
  • construa uma profissão vendável fora do Brasil;
  • entenda imposto e contabilidade;
  • proteja patrimônio legalmente;
  • forme filhos sem depender do Estado, se isso for possível pra você;
  • conheça gente competente em áreas que você não domina.

Nada disso é sexy. Não dá slogan. Não viraliza.

Funciona melhor que esperança.

Inglês e dólar não são fetiche

Inglês não é diferencial. É oxigênio.

Existe um motivo pra este ser um dos primeiros vídeos do meu canal: Akitando #32 - Como eu aprendi inglês e entendendo padrões.

Nem toda profissão brasileira é exportável. Programação é uma das que são. Mesmo com mercado remoto mais difícil, layoffs, concorrência global e IA bagunçando tudo, ainda existe caminho. Não é fácil. Nunca foi. Só parecia fácil na bolha.

Você começa local. Ganha experiência. Estuda mais do que os outros. Aprende a se comunicar. Melhora inglês. Aplica pra fora. Toma não. Aplica de novo. Continua.

Isso não é plano de seis meses. É plano de décadas.

O objetivo é simples: aumentar sua chance de ser pago em moeda forte.

Por que dólar? Porque o dólar continua sendo o centro do sistema financeiro internacional. Não é torcida pelos EUA. É mecânica. Depois de Bretton Woods, e mesmo depois do fim da conversibilidade em ouro em 1971, ele continuou como principal moeda de reserva, comércio, dívida e liquidez. O BIS mostra que o dólar participa de quase 90% das transações globais de câmbio e aparece em cerca de metade do comércio global faturado em moeda estrangeira.

Nos anos 80, o Acordo Plaza coordenou uma desvalorização do dólar frente a moedas como iene e marco alemão. Materiais do FOMC de 1985 já registravam o dólar cerca de 14% abaixo contra o iene semanas depois. Não é historinha simples de “EUA imperialista”. É moeda, juros, comércio, geopolítica e dívida.

Quando uma crise geopolítica aumenta petróleo, países importadores precisam de mais dólares pra comprar energia. A Reuters mostrou isso durante a guerra Irã-EUA: dólar subiu com demanda por safe haven, petróleo mais caro e risco no Estreito de Ormuz. Sanções e alternativas existem, mas isso não prova o fim do dólar. Prova o contrário: todo mundo precisa contornar a rede dominante justamente porque ela é dominante.

Você não precisa gostar. Precisa entender.

O Real não é boa reserva de valor de longo prazo. Se você consegue manter parte da renda, patrimônio ou clientela em moeda forte, fica menos vulnerável. Simples assim.

Imposto é parte da vida adulta

Brasileiro CLT acha que entende imposto porque abre o programa da Receita uma vez por ano e clica em “próximo”.

Não entende.

Parece simples porque a parte difícil ficou escondida. A empresa paga uma montanha antes de seu salário líquido aparecer. Depois você paga IR, contribuição, imposto embutido em produto, serviço, consumo, propriedade, cartório, ganho de capital, inventário.

A Receita Federal estimou a carga tributária em 32,3% do PIB em 2023. O último Doing Business comparável do Banco Mundial colocava uma empresa-padrão no Brasil gastando 1.501 horas por ano só com obrigações tributárias. O relatório foi descontinuado, então não use como ranking atual. Use como fotografia do tamanho do monstro.

E a maioria não sabe a diferença entre renda, patrimônio, ganho de capital, pró-labore, dividendo, offshore declarada, evasão, elisão, residência fiscal, holding, inventário, ITCMD, IRPF, IRPJ, ISS, ICMS, PIS, Cofins.

Mistura tudo.

Offshore não é automaticamente sonegação. Pode ser ilegal se for usada pra esconder patrimônio, omitir renda, fraudar credor ou lavar dinheiro. Mas uma estrutura internacional declarada, com beneficiário final identificado, contabilidade correta e imposto pago conforme a lei aplicável, não é crime por definição. Você pode achar feio. Pode achar injusto. Só não chame tudo pelo nome errado.

Na prática, o que importa é cumprir a lei real, não repetir meme de internet.

Você compra imóvel. Anos depois vende por mais reais nominais. Parece lucro. Às vezes é só inflação. Mesmo assim, se houver ganho de capital tributável pela regra fiscal, o governo cobra sobre a diferença nominal conforme as regras aplicáveis.

Exemplo simplificado: comprou uma casa por R$ 500 mil em 2006. Vendeu em 2026 por R$ 1,2 milhão. Parece ganho de R$ 700 mil. Com IPCA acumulado perto de 197%, essa casa precisaria valer perto de R$ 1,485 milhão só pra preservar poder de compra. Antes de imposto, você já perdeu em termos reais.

No papel, “lucro”. Na vida real, perda.

Você morre. Seus herdeiros descobrem inventário, cartório, advogado, ITCMD, prazo, conflito familiar e custo.

Não estou dizendo que toda família precisa de holding. Estou dizendo que você precisa saber fazer a conta antes, não depois que alguém morreu.

Patrimônio precisa de estrutura

Aqui muita gente entende errado de propósito.

Não estou dizendo pra esconder patrimônio. Não estou dizendo pra sonegar. Não estou dizendo pra fraudar credor. Não estou dizendo pra transferir bem depois de ser processado pra tentar escapar de execução. Isso é ilegal, anulável e idiota.

Estou dizendo pra estudar planejamento patrimonial antes de comprar coisa grande no impulso.

Pode fazer sentido usar holding, empresa patrimonial, estrutura societária, testamento, seguro, previdência privada, conta internacional, offshore declarada. Depende do caso.

“Depende do caso” é a frase mais importante. Não copie estrutura de influencer. Não abra empresa em Bahamas porque viu num vídeo. Consulte profissional.

Holding boa não é mágica tributária. Pode ter ITBI, ganho de capital, custo anual, contabilidade, obrigação acessória, regra antiabuso, risco de desconsideração se você fizer bagunça. Ela não deixa bem imune a credor, execução, partilha ou fraude contra credores.

Ela só troca improviso por governança.

O princípio é simples: tudo que está diretamente no seu CPF fica exposto ao seu CPF. Processo, divórcio, inventário, disputa familiar, erro tributário, confusão societária, dívida, acidente. Uma estrutura legítima organiza risco, sucessão, administração e imposto dentro da lei.

O importante é não improvisar patrimônio quando já é tarde demais.

Casamento, filhos e contratos

Casamento é amor, claro. Perante o Estado também é contrato.

E contrato ruim destrói patrimônio, família e paz.

No Brasil existem regimes de bens. Comunhão parcial, comunhão universal, separação convencional, separação obrigatória em alguns casos, participação final nos aquestos. Muita gente casa sem entender nada disso.

Eu considero separação total de bens a forma mais respeitosa de casar.

Não porque você ama menos. Pelo contrário: porque você não precisa prender o outro financeiramente pra provar amor. Cada um mantém clareza sobre o que é seu, o que é do outro, o que é construído junto por decisão explícita.

Isso não impede generosidade. Não impede comprar coisas juntos. Não impede construir vida em comum. Só evita fingir que afeto substitui contabilidade.

E filhos?

Se puder escolher, tenha filhos quando conseguir pagar saúde e educação privadas.

Eu sei que essa frase irrita. Melhor se irritar agora do que descobrir tarde demais que o Estado não vai entregar o que você imaginou.

Filho não é acessório de adulto. Não é projeto de Instagram. Não é “depois a gente vê”.

Se você quer filhos, planeje. Plano de saúde, escola, moradia, reserva, idioma, segurança, tempo, família por perto. Se ainda não dá, trabalhe pra dar.

Opcionalidade

Não deixe sua vida pendurada num único ponto de falha.

Uma moeda só. Um banco só. Um empregador só. Um país só. Um documento vencido. Uma plataforma que pode te banir. Uma corretora que pode travar. Uma fonte de renda que pode desaparecer.

Isso é fragilidade disfarçada de simplicidade.

Ter passaporte válido, visto quando fizer sentido, conta internacional declarada, reserva em moeda forte, currículo vendável fora, rede de contatos fora da sua bolha e capacidade de trabalhar remoto não significa que você vai embora amanhã. Significa que você pode escolher.

Governo nenhum precisa te perseguir pra destruir sua vida. Às vezes basta mudar regra, travar conta, aumentar imposto, atrasar documento ou corroer moeda devagar.

Quem só tem uma opção obedece.

Quem tem várias opções negocia.

Todo programador entende backup. Faça backup da própria vida.

Então por que não ir embora?

Vá, se quiser e puder. Não há nada errado em emigrar.

Mas não trate isso como obrigação moral. Muita gente tem pais, irmãos, filhos, amigos, raízes. Nem todo mundo quer criar filho longe dos avós. Nem todo mundo quer transplantar uma vida inteira.

E existe uma vantagem prática: se você tem renda externa formalizada, declarada e tributada corretamente, e gasta em Real, o Brasil pode ser barato.

Serviço é mais barato. Aluguel pode ser mais barato. Comida pode ser mais barata. Diarista, encanador, dentista, restaurante, escola boa fora dos eixos mais caros: muita coisa fica acessível se sua renda vem de fora.

Eletrônico e hardware são caros por imposto e importação. Isso você resolve comprando fora quando fizer sentido, dentro das cotas, declarando e pagando o que for devido.

Qualidade de vida no Brasil pode ser muito boa se você tiver meios.

Esse é o ponto: não dependa da política pra ter meios.

Gente competente vale ouro

Durante sua carreira, não seja o nerd que só entrega tarefa e vai embora.

Empresa média ou grande tem financeiro, contabilidade, jurídico, vendas, operações, RH, diretoria. Faça amigos fora da sua bolha.

No Brasil, é muito útil conhecer pelo menos um bom contador e um bom advogado. Não pra pedir favor errado. Pra aprender a fazer certo.

O ambiente é hostil. Aqui e fora daqui. Sobrevive melhor quem acumula conhecimento, ferramentas e relações confiáveis.

Isso é survival of the fittest. Não é o mais forte fisicamente. É o mais adaptado.

Conclusão

Eleição não é plano de vida.

Você pode acompanhar política se quiser. Acompanhe como risco ambiental, não como religião. Chuva, seca, terremoto, inflação, câmbio, imposto, regra nova. Você não controla o céu. Controla se constrói telhado.

Pare de esperar uma mudança brilhante no futuro próximo.

Planeje como se nada fosse mudar por muito tempo.

Aprenda inglês. Ganhe em dólar se puder. Entenda imposto. Estruture patrimônio legalmente. Proteja sua família. Faça amigos competentes. Use o Brasil a seu favor, sem acreditar no Brasil como promessa.

Quando você faz isso, eleição vira barulho de fundo.

E barulho de fundo não manda na sua vida.