Meu Cockpit de Sim Racing - Formula FX1

1 de abril de 2026 · 💬 Participe da Discussão

Eu gosto de carros desde que me entendo por gente. Meu primeiro contato real com jogos de corrida foi nos fliperamas dos anos 80 e 90. E quando eu digo “real”, eu digo sentar num cabinet com volante, pedal, banco de plástico duro e a tela curvando na sua frente. OutRun (1986), Rad Mobile (1991), Virtua Racing (1992), Ridge Racer (1993), Daytona USA (1994), Scud Race (1996). Cada um desses jogos me marcou. Mas o Daytona USA ficou gravado de outro jeito. Aquele cabinet twin, duas máquinas lado a lado, a música “DAYTONAAA, let’s go away” estourando no fliperama, o volante vibrando na mão. Eu lembro disso até hoje.

Máquinas de Daytona USA num shopping de São Paulo — exatamente o tipo de cabinet twin que ficou gravado na minha memória

Mas o jogo que realmente me viciou no gênero simcade foi o Gran Turismo original, em 1997, no PlayStation 1. “The Real Driving Simulator” na capa. Eu joguei aquele jogo obsessivamente. Na mesma época eu assistia o anime Initial D, que estreou em 1998 no Japão. Comprei todos os mangás e li tudo do começo ao fim. A história do Takumi Fujiwara descendo o Monte Akina de madrugada entregando tofu no AE86 do pai dele é, pra mim, uma das melhores histórias de automobilismo já contadas em qualquer mídia.

Até hoje eu acompanho o trabalho do Shuichi Shigeno. Depois de Initial D veio MF Ghost (2017-2025), que se passa no mesmo universo mas num futuro próximo onde carros a combustão viraram peça de museu. E agora, desde julho de 2025, estou lendo Subaru and Subaru, a continuação direta que une os universos de Initial D e MF Ghost com duas protagonistas chamadas Subaru — uma de Gunma, outra de Kanagawa — competindo numa nova série de corridas. É o Shigeno no melhor dele.

Subaru and Subaru — o novo mangá do Shigeno, continuação direta de Initial D e MF Ghost

Dois anos atrás eu viajei pro Japão com minha namorada e fiz questão de ir na Daikoku PA, o famoso parking area na Shuto Expressway em Yokohama onde a cultura JDM se concentra. Como fã antigo de Tokyo Xtreme Racer, da Genki, eu precisava ver Daikoku com meus próprios olhos pelo menos uma vez. E não decepcionou. Em vez de alugar carro, a gente fechou um tour com um guia local no Nissan GT-R preparado dele. Melhor assim. No caminho ele foi explicando a história da Wangan, como a cena funciona, o que é exagero de YouTube e o que é real. Quando chegamos numa sexta à noite e eu vi aquilo tudo ao vivo — Skyline R34, RX-7, Supra, GT-R, kei trucks tunados, bosozoku insanos — a sensação foi estranha no melhor sentido. Parecia Tokyo Xtreme Racer, só que com cheiro de combustível no ar e barulho de escapamento de verdade.

E tem outro detalhe: eu estou jogando o reboot novo de Tokyo Xtreme Racer no PC, e é exatamente o tipo de jogo que entende o próprio público. Campanha single-player forte, progressão viciante, clima certo, e sem aquelas palhaçadas de loot box. Recomendo fácil. Pelo mesmo motivo, eu também estou esperando muito o Forza Horizon 6, que dessa vez vai se passar no Japão. Eu já fiz a pré-compra e estou louco pra jogar isso no cockpit novo.

Na Daikoku PA com um GT-R modificado

Com um AE86 Trueno na Daikoku PA — o carro do Takumi

Dirigindo de verdade

Agora que estou semi-aposentado, tive a oportunidade de levar meu Mercedes em track days. Já andei no Autódromo de Interlagos (o Autódromo José Carlos Pace), circuito de 4.309 km em São Paulo que sedia o GP de F1 do Brasil desde 1973, famoso pelas curvas do S do Senna e pelo desnível maluco do circuito. Também andei no Autódromo Velocitta, um circuito moderno de 3.443 km inaugurado em 2014 em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, que recebe a Stock Car Brasil e a Porsche Cup.

No Velocitta com meu Mercedes num track day da AMG

Em Las Vegas eu já dirigi super carros naquelas experiências de pista. E quando viajei com minha namorada pra Gramado, no RS, fomos na Super Carros, que fica na Av. das Hortênsias 4635. Eles têm um galpão de 2.400 m² com mais de 50 carros — Ferraris, Lamborghinis, Porsches, GT-Rs, Corvettes, muscle cars americanos. Você escolhe o carro, sai com um instrutor, e dirige um percurso de uns 17 km entre Gramado e Canela. Eu peguei um Nissan GT-R e uma Ferrari California.

Com um GT-R em Gramado

Com uma Ferrari California em Gramado

Três anos atrás eu também fui pra Abu Dhabi com minha namorada e fomos no Ferrari World, que tem alguns dos melhores simuladores de corrida que eu já experimentei. Plataforma hidráulica com 6 graus de liberdade, cockpit de F1, a coisa toda. Eu sempre adorei testar simuladores onde quer que eu vá.

Simulador de F1 com plataforma hidráulica no Ferrari World em Abu Dhabi

Mas dirigir carros de verdade em pistas de verdade é um hobby muito caro. Pneus, combustível, seguro, manutenção, inscrição. E o mais importante: eu sou introvertido. Prefiro estar sozinho. Meu cockpit de simulador é perfeito pra quando eu quero dirigir sem ter que lidar com ninguém. É por isso que eu gosto tanto de rally — sou eu, o co-driver virtual, e a estrada. Nada mais.

Os jogos que eu jogo

Sei que a maioria das pessoas que montam um cockpit como esse fazem pra jogar simuladores sérios — iRacing, Assetto Corsa Competizione, Automobilista 2. Eu respeito, mas não é minha praia. Não gosto de jogar online com outras pessoas. Não tenho nenhuma intenção de começar uma carreira de live streaming. Isso é puramente pro meu divertimento.

Atualmente eu jogo Gran Turismo 7 no PS5, Forza Motorsport (o 8, de 2023) no PC, mas onde eu me divirto mais é nos jogos de rally: EA SPORTS WRC, WRC 10 e DiRT Rally 2.0. Minha primeira experiência com Forza foi no Xbox One com o Forza Motorsport 5 e depois Forza Horizon 4, que me prendeu por centenas de horas.

E eu tenho um carinho enorme por jogos retro. O Colin McRae Rally original de 1998 no PS1 foi meu primeiro jogo de rally. Mas o meu favorito de todos os tempos é o Colin McRae Rally 2.0 (2000), também no PS1. Recentemente eu completei a campanha inteira de novo na versão de PC — dá pra achar repacks que rodam em alta resolução e widescreen, muito melhor que as versões originais de PlayStation. Recomendo pra qualquer um dos títulos da série.

Colin McRae Rally 2.0 rodando em widescreen no PC — neve na Suécia com o Ford Focus

Depois vieram Colin McRae 3 (2002), Colin McRae Rally 04 (2003) e Colin McRae 2005 (2004). Outros arcades que eu revisito com frequência: OutRun 2 SP (2004) e OutRun 2006: Coast 2 Coast (2006) — o melhor OutRun já feito, na minha opinião.

Mas meu jogo do ano, disparado, é o Super Woden: Rally Edge. Um indie feito por um desenvolvedor solo (ViJuDa, da Espanha) que lançou em janeiro de 2026 por menos de R$ 60. Oito países, mais de 80 carros, modo carreira, multiplayer local split-screen pra até 4 jogadores, leaderboards online. A câmera atrás do carro em vez do top-down dos Super Woden GP anteriores fez toda a diferença. 96% de reviews positivos no Steam com mais de 1.300 avaliações. É o tipo de jogo que mostra que você não precisa de orçamento milionário pra fazer algo incrível.

Super Woden: Rally Edge — indie feito por um dev solo que compete com os grandes

A evolução do meu setup de volante

Era Logitech G29 (~2015-2021)

Eu sempre quis um volante de corrida. Comecei há mais de 15 anos com algo equivalente ao volante de entrada da Logitech, um G29. O G29 é um bom volante pra começar — force feedback por engrenagens, pedais com embreagem, 900 graus de rotação. Mas o force feedback dele é barulhento e meio grosseiro. Você sente as engrenagens girando.

Eu jogando com o Logitech G29 no sofá — o começo de tudo

O G29 com suporte simples na frente do sofá

Era Thrustmaster T300RS + Suporte SXT V2 (~2021-2024)

Por volta de 2021 eu fiz o upgrade pro Thrustmaster T300RS, um volante por correia que é um salto enorme em relação ao Logitech. O force feedback é muito mais suave e preciso. E comprei o suporte Extreme Sim Racing SXT V2, que é bem mais robusto que aqueles suportes de mesa genéricos.

O Thrustmaster T300RS montado no suporte SXT V2

Primeiro eu montei o setup na frente do meu PC desktop, que na época tinha uma RTX 3090. Funcionava bem, mas era muito trabalhoso ficar montando e desmontando o suporte e os cabos toda vez que eu queria jogar.

O Thrustmaster na frente do PC desktop — funcional mas trabalhoso

Depois eu fiz um setup com cabo HDMI de fibra óptica longo pra conectar minha TV de 60" ao PC nos fundos da sala. Movi o suporte pra frente do sofá. Menos trabalhoso, mas eu ainda tinha que desmontar quando queria assistir filme com minha namorada.

Setup com a TV grande — melhor, mas ainda trabalhoso

O suporte na sala de estar — sempre no caminho

Por volta de 2024 ou 2025 eu troquei meu sofá por um daqueles sofás VIP de cinema da Star Seat, que reclina e tudo. Problema: era muito mais alto que o sofá anterior. Tive que fazer todo tipo de gambiarra pra fazer o suporte funcionar naquela altura. Cheguei a imprimir suportes em 3D e mandar pra PCBWay usinar placas de aço pra prender rodas grandes embaixo do suporte e ganhar uns centímetros de altura. Mas isso deixou o setup muito instável pra dirigir confortavelmente.

O problema: sofá VIP alto demais pro suporte — gambiarra total

Era Fanatec CSL DD + Direct Drive (~2024-2025)

Nesse meio tempo eu dei o T300 pro meu irmão e fiz o upgrade pra um Fanatec CSL DD Gran Turismo Edition. O motor direct drive do CSL DD entrega 5 Nm de torque na base, mas o kit Gran Turismo DD Pro já vem com o Boost Kit 180 que sobe pra 8 Nm sustentados sem cooling ativo. Direct drive significa que não tem engrenagem nem correia entre o motor e o volante — o eixo do motor É o eixo do volante. A diferença é absurda. O T300 já era ótimo, muito superior ao Logitech. Mas o Fanatec está em outro patamar. Você sente cada textura do asfalto, cada lombada, cada derrapagem incipiente. Não tem como voltar atrás depois que experimenta.

Comprei junto o kit de pedais CSL com Load Cell, que mede pressão no freio em vez de deslocamento. Faz toda a diferença na frenagem — você aprende a dosar pela força do pé, não pela distância que o pedal percorre. Muito mais natural.

Close-up do motor Fanatec CSL DD direct drive

Pedais Fanatec CSL com Load Cell Kit

O shifter Fanatec — câmbio manual com knob cromado

Eu também quis experimentar o câmbio manual H-pattern com o ClubSport Shifter SQ V1.5 da Fanatec e o freio de mão separado. É legal pra experimentar carros antigos com embreagem e câmbio H, mas na prática eu não me adaptei. O suporte SXT V2 já balançava bastante com o direct drive, e usar o shifter naquele setup instável era frustrante. E eu sei que tem gente que quer fazer “ponta e calcanhar” (heel-toe), mas no simulador eu prefiro ter o pé esquerdo no freio e o direito no acelerador e dosar os dois ao mesmo tempo. Funciona melhor pra mim. Agora que eu tenho o volante McLaren com os paddles analógicos de freio de mão e embreagem direto no volante, o câmbio H e o handbrake externo ficaram aposentados. Pra rally, o handbrake analógico no volante é muito mais natural.

Também comprei o PS5 com Gran Turismo 7 nessa época. Coloquei as dbrand Darkplates matte black pra trocar as placas brancas originais — fica muito mais bonito e discreto.

Mas o setup ainda era o suporte SXT V2 na frente do sofá VIP. A mesma gambiarra. O mesmo balanço. Eu não ia desistir do sofá de cinema, claro. A situação ficou insustentável.

O Fanatec CSL DD no suporte SXT V2 — poderoso demais pro suporte aguentar

O computador e o setup de hardware

Uma nota sobre meu hardware de gaming. Eu comprei um Minisforum UX790 Pro pra ser minha máquina dedicada de Steam. É um mini-PC com processador Intel Core Ultra 9 285H, que cabe na palma da mão. Junto comprei o Minisforum DEG1, um dock de GPU externo que conecta via OCuLink (PCIe 4.0 x4, 64 GT/s). É um design aberto — basicamente uma placa com slot PCIe x16 e espaço pra fonte ATX ou SFX. Não tem limitação de tamanho de placa, então cabe uma RTX 4090 tranquilamente. A perda de performance comparado a um slot PCIe nativo é mínima. Coloquei a RTX 4090 nele. A 4090 veio do meu desktop — no começo de 2025 eu viajei pra Miami e aproveitei pra comprar uma RTX 5090 porque estava usando cada vez mais IA e LLMs locais. Dei a 3090 antiga pra minha namorada usar na edição de vídeo. A 4090 foi pro mini-PC.

Então meu setup de gaming hoje é: Minisforum UX790 Pro + eGPU com RTX 4090 pra Steam e jogos de PC, e PlayStation 5 com Darkplates matte black pra Gran Turismo 7 e exclusivos.

O cockpit: Formula FX1

Pra completar o setup eu também precisava de um monitor decente. Eu já estava acostumado com minha TV OLED Samsung de 80" na sala e não queria dar um downgrade na qualidade de imagem. Então investi no Samsung Odyssey OLED G8 de 32". É um monitor 4K (3840x2160) OLED com 240 Hz de refresh rate, 0.03 ms de tempo de resposta (GTG), HDR True Black 400, HDR10+, 99% de cobertura DCI-P3, contraste de 1.000.000:1, e FreeSync Premium Pro. Tem 2 entradas HDMI 2.1 e 1 DisplayPort 1.4.

A caixa do Samsung Odyssey OLED G8 de 32" quando chegou

Na prática: as cores explodem, preto é preto de verdade (é OLED, não tem backlight), e com a RTX 4090 eu rodo a maioria dos jogos em 4K a 120 fps tranquilo. Em títulos mais leves como o Super Woden: Rally Edge, chega fácil nos 240 Hz. A fluidez é absurda. Pra um cockpit onde você está a uns 60-70 cm da tela, 32" OLED em 4K é o sweet spot. Maior que isso e você começaria a enxergar pixels. Menor e perde a imersão.

Em janeiro de 2026, depois de anos de gambiarra, eu finalmente encomendei um cockpit dedicado. Pesquisei bastante. Considerei o Cockpit AX160, que é de perfil de alumínio e muito modular, e o Cockpit 4.0, que é de aço tubular mais tradicional. Mas nenhum dos dois estava disponível no momento da compra. E aí eu encontrei o Formula FX1 preto e verde da Extreme Racing — cores Petronas, estilo F1.

O FX1 é muito diferente dos cockpits tradicionais. A estrutura inteira é de tubos de aço grossos, soldados. Quando eu digo que a coisa não balança, eu quero dizer que não balança nada. Zero wobble. É uma diferença brutal em relação ao suporte na frente do sofá. A posição de pilotagem é reclinada, tipo F1 — seus pés ficam na mesma altura ou mais altos que seu quadril. Parece que vai ser desconfortável, mas não é. Dá pra ficar horas ali sem reclamar. Vem com banco acolchoado e ajustável, suporte pra monitor com articulação, suporte pra pedais com inclinação ajustável, e suporte pra volante com altura regulável.

Tive que esperar cerca de 1 mês pela entrega. No meio tempo, como quem acompanha meu blog sabe, eu mergulhei numa maratona de 16 horas por dia testando os novos agentes de IA da Anthropic e OpenAI — veja as tags #vibecoding e #agents pra ver tudo que eu fiz. Depois de uns 30 dias nessa maratona insana, minha lombar cedeu e eu comecei a desenvolver o que parece ser hérnia de disco. Tive que ir ao médico e tomar anti-inflamatórios pesados.

E exatamente nessa semana, o cockpit decidiu chegar.

A montagem

Eu estava com dor absurda, mas montei o cockpit assim mesmo. Levou o dia inteiro pra desembalar e montar as peças de aço pesadas com a lombar gritando, mas eu fiz.

O vídeo de montagem oficial que eu segui:

Primeiras peças montadas — a base e a estrutura do banco

Estrutura quase completa — banco, suporte do volante, pedais

Vista frontal da estrutura quase pronta

Montagem quase completa com o suporte do monitor

O volante McLaren GT3 V2

Depois de montar o cockpit, eu decidi que o volante padrão que vem com o kit CSL GT não era suficiente. Fiz o upgrade pro Fanatec CSL Elite McLaren GT3 V2 (~R$ 4.990). É uma réplica em escala real do volante do McLaren GT3, com fibra de carbono, display OLED, e compatível com PC, Xbox, PS4 e PS5.

O que eu mais gosto nele: tem as borboletas de câmbio normais atrás (shift up/down), mas também tem dois paddles analógicos adicionais que podem ser configurados em quatro modos diferentes. No modo B, que é o que eu uso, o paddle esquerdo funciona como handbrake analógico e o direito como embreagem analógica. Isso é perfeito pra rally — eu consigo puxar o freio de mão no meio da curva sem tirar a mão do volante. Tem também dois toggles de 2 posições, dois rotary de 12 posições, 7 botões padrão com caps intercambiáveis, e o FunkySwitch de 7 direções da Fanatec. É um controle completo de corrida.

O volante McLaren GT3 V2 montado no cockpit — fibra de carbono e display OLED

O setup final

O cockpit ficou num cantinho do meu quarto, entre as estantes de mangá (dá pra ver Akira, Initial D, e uns 500 outros volumes atrás). Montei o mini-PC e o PS5 na estrutura lateral do cockpit, junto com a eGPU e a RTX 4090. Tudo fica permanentemente conectado. É isso que faz a diferença: eu não preciso mais montar nem desmontar nada. Sento, ligo, e estou dirigindo em 30 segundos.

Vista lateral do cockpit completo — entre as estantes de mangá

Os consoles montados na estrutura: PS5 com Darkplates, Minisforum UX790 Pro, eGPU com RTX 4090

Close-up dos consoles e cabeamento

A perspectiva do piloto — é assim que eu vejo quando estou sentado

PS5 mostrando a lista de jogos — Gran Turismo 7 no topo

O cockpit completo visto de trás

Gran Turismo 7 rodando no cockpit final

O sistema de áudio

Pra completar o setup eu precisava de áudio dedicado. Eu não queria usar o áudio do monitor (péssimo) nem ficar sempre de headset. A solução foi montar um sistema de áudio separado com extração de áudio do HDMI.

A peça central é um switcher HDMI 2.1 da OREI com extração de áudio. Ele tem 2 entradas e 1 saída HDMI, suporta 4K a 120Hz (48 Gbps de bandwidth), e extrai o áudio via saída óptica TOSLINK e P2 3.5mm. Eu conecto a saída HDMI da RTX 4090 numa entrada e o PS5 na outra. O vídeo vai pro monitor. O áudio sai pela óptica.

O áudio óptico vai pra um amplificador Aiyima D03, um amp compacto 2.1 canais com 150W por canal, DAC integrado (chip PCM1808), e Bluetooth 5.0 com aptX HD. Ele tem entrada óptica, coaxial, USB, RCA e Bluetooth. Tem até saída dedicada pra subwoofer quando eu resolver adicionar um. Usa chip amplificador TAS5624 da Texas Instruments e tem controle de graves e agudos pelo controle remoto. Pra um setup de cockpit onde você está a 1 metro das caixas, 150W é mais que suficiente.

Na prática, eu deixo o amplificador em 50% e o volume do Windows em 50%, e isso já fica alto pra caramba. Ou seja: não é um sisteminha “quebra-galho”. Está equipado pra tocar realmente alto se eu quiser.

As caixas são Edifier P12, passivas, com woofer de 4 polegadas e tweeter de 19mm. Resposta de frequência de 55Hz a 20kHz, impedância de 6 ohms, potência de 20W RMS cada. O gabinete de MDF com acabamento em madeira tem um porte-reflex traseiro que ajuda nos graves. Pra caixas passivas desse tamanho, elas entregam bem. O mid-range sai limpo e os agudos não distorcem mesmo no volume alto.

Os equipamentos de áudio — caixa do Aiyima D03 e do Edifier P12

As Edifier P12 posicionadas nas estantes ao lado do cockpit, junto com a coleção de Akira e miniaturas de carros

A lógica do setup é: HDMI switcher faz o chaveamento entre PS5 e PC, extrai o áudio pra óptica, o amp converte e amplifica, e as caixas passivas entregam o som. Tudo sem precisar tocar no monitor ou trocar cabos. Aperto um botão no switcher e troco de console.

Quando eu quero jogar sem incomodar ninguém, conecto meu Meze 109 Pro direto na saída P2 do switcher HDMI. O Meze 109 Pro é um headphone aberto com drivers dinâmicos de 50mm, impedância de 40 ohms, sensibilidade de 112 dB SPL/1mW, e resposta de 5Hz a 30kHz. Os ear cups são de madeira de nogueira com acabamento artesanal. É um headphone audiófilo que funciona perfeitamente sem amplificador dedicado graças à impedância baixa. O som é quente, com graves cheios e mids ricos. Dá pra ouvir cada detalhe do ronco dos motores.

Meze 109 Pro — madeira de nogueira, som audiófilo

Ainda não decidi sobre subwoofer, mas vai ser meu próximo upgrade. Um sub dedicado vai adicionar aquele peso nos graves que faz você sentir o motor no peito.

O veredito

O sofa com suporte funciona. A mesa do PC com suporte funciona. Mas nenhum dos dois chega perto de um cockpit dedicado. A estrutura de aço do FX1 não mexe nem um milímetro, mesmo com o direct drive do Fanatec dando torque máximo. A posição F1 reclinada é confortável pra sessões de horas. Os pedais com load cell ficam firmes na base. O monitor fica exatamente na altura e distância certas. E o melhor de tudo: está sempre pronto. Eu não preciso montar, desmontar, passar cabo, nada. Sento e dirijo.

Pra quem está na dúvida se vale a pena investir num cockpit dedicado vs. ficar com suporte na mesa ou no sofá: vale. Se você já tem um volante direct drive, o cockpit é a peça que falta. Eu passei anos achando que “tá bom assim” com o suporte no sofá. Não tava. A diferença na dirigibilidade é outra coisa. E pro meu caso — introvertido, single-player only, simcade — não podia ter montado antes. Pra falar a verdade, eu acho que finalmente cheguei no meu setup de simulador perfeito pro meu gosto.

O monitor ligado com a vista do piloto

Eu dirigindo no cockpit final

Lista de compras: quanto custou tudo

Aqui está a lista consolidada de tudo que compõe meu setup atual, com preços aproximados (alguns comprei em dólar, converti pra real na cotação da época):

ItemPreço Estimado (R$)Link
Cockpit Formula FX1 Preto e Verde~6.290Extreme Racing
Fanatec Gran Turismo DD Pro 8Nm (motor + volante + pedais + Boost Kit)~9.590Fanatec / Racing Wheel Brasil
Fanatec CSL Pedals LC (com Load Cell)~1.500Fanatec
Fanatec CSL Elite McLaren GT3 V2~4.990Racing Wheel Brasil
Fanatec ClubSport Shifter SQ V1.5~2.500Fanatec
Minisforum UX790 Pro~5.000Minisforum
Minisforum DEG1 eGPU Dock + RTX 4090~12.000Minisforum / comprado separado
PlayStation 5 + dbrand Darkplates~4.500Sony / dbrand
Samsung Odyssey OLED G8 32"~2.500Samsung
OREI BK-21A HDMI 2.1 Switcher 2x1 com extração de áudio~450Amazon
Amplificador Aiyima D03~900Mercado Livre
Edifier P12 (par)~799Edifier
Meze 109 Pro~5.390Mercado Livre / Heinrich Audio
Cabos (HDMI 2.1, óptico, P2, energia)~300Diversos
TOTAL ESTIMADO~56.709

Sim, quase R$ 57 mil é bastante dinheiro. Eu trabalhei feito um condenado por décadas. Agora que consegui me aposentar honestamente, minha família está bem amparada, não tenho dívidas, e eu posso finalmente me dar algo que eu sempre quis quando era moleque mas não tinha como bancar. Quando eu sentava naqueles cabinets de OutRun e Daytona USA no fliperama, eu sonhava em ter algo assim em casa. Levou 30 e poucos anos, mas cheguei lá.

E se você somar os anos de gambiarras, suportes que não funcionavam, cabos HDMI de 15 metros, impressões 3D, placas de aço usinadas, e a frustração de montar e desmontar tudo — o cockpit dedicado economiza sanidade. Diferente de um PC que deprecia rápido, um cockpit de aço dura décadas.