The Conf 2018 - Relatório da Edição

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31 de outubro de 2018 · 💬 Participe da Discussão

Estou bem atrasado com esse relatório porque acabei fazendo uma longa viagem logo após o evento. Peço desculpas por isso.

O ponto principal da edição deste ano foi, sem dúvida, o aumento na qualidade do conteúdo. O Call for Papers que abri no início do ano foi um sucesso: recebemos mais de 100 propostas e tive um trabalho e tanto para selecionar apenas 28 delas. Não havia nenhuma proposta de dar vergonha.

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Depois que publicamos o site em junho, apenas 2 pessoas precisaram cancelar a participação por questões pessoais. Espero que tenham conseguido resolver seus problemas. De qualquer forma, como disse, o evento tinha propostas mais do que suficientes para escolher. Não tenho palavras para agradecer a todos que dedicaram tempo para elaborar e enviar uma boa proposta.

Embora o evento seja voltado principalmente para brasileiros apresentando em inglês no próprio país, este ano tivemos 3 casos que merecem destaque.

O primeiro deles foi Itoyanagi Sakura. Ele enviou a proposta pelo CFP como qualquer outra pessoa. Quando selecionei a palestra, levei um susto ao descobrir que era de alguém do Japão. Muito obrigado a Itoyanagi-san e à sua empresa Space Pirates LLC. Quem assistiu à palestra dele certamente passou um ótimo momento. Ele é de Nagasaki, de origem humilde, e cresceu até se tornar membro do Ruby Core Team, sendo responsável principalmente pela manutenção de ferramentas como o RDoc.

Conheci uma pessoa incrível na Criciuma Dev no início do ano: Carla De Bona. Ela é uma apresentadora excelente na área de UX/UI e está sempre ensinando e evangelizando por aí. Nem sei como ela dá conta de tudo. Fiquei muito feliz ao selecionar a proposta dela — e olhando as datas, ela foi uma das primeiras a enviar uma proposta ao Call for Papers. Vale muito acompanhar o trabalho dela.

Por fim, tive a sorte enorme de trazer o professor Diego Aranha, renomado pesquisador de segurança brasileiro e um dos poucos que conseguiu auditar o código-fonte da urna eletrônica brasileira. Em ano de eleições, é um tema crucial que pouquíssimas pessoas conhecem de verdade. A agenda dele estava apertada — Diego tinha um voo de volta à Dinamarca no mesmo dia em que apresentou no evento. Ele já está oficialmente aposentado do debate sobre as urnas, então tivemos uma sorte extra de assistir à sua última apresentação sobre o assunto.

Receber estrangeiros no Brasil é sempre bom. Receber brasileiros que moram fora, também. Marcelo Wiermann veio da Alemanha. Gabriel Mazetto, dos Países Baixos. E ainda tivemos palestrantes de várias regiões do Brasil: Rodrigo Urubatan veio do Rio Grande do Sul, Emerson Macedo do Rio de Janeiro, Fabio Janiszewski de Guarapuava. Tenho certeza de que esqueci outros nomes, mas não consigo agradecer o suficiente a todos pelo esforço de participar.

Speakers

Todos os palestrantes trouxeram temas importantes e instigantes: discussões sobre GDPR, criptografia, linguagens como Kotlin, Elixir, R, Rust e Ruby, desenvolvimento front-end, pesquisa em UX, blockchain, Kubernetes e “devops”. É exatamente isso que THE CONF deve ser: uma discussão tecnológica com pessoas que colocam a mão na massa em tudo isso.

Estou ansioso para ver todas as gravações das palestras. Editar tudo leva tempo, mas nosso patrocinador e parceiro InfoQ Brasil está trabalhando duro nisso, e recebi a informação de que estão quase prontas. Mais uma vez, espero que todos reconheçam e valorizem o apoio deles ao evento.

Falando em apoio, neste ano tivemos um suporte um pouco maior da Impulso, OLX, Plataformatec e iMasters, que gentilmente cederam o espaço do Hub deles para o happy hour do pré-evento. Pena que estava chovendo naquele dia, mas o espaço era ótimo. Muito obrigado ao meu amigo Thiago pelo suporte!

Então, ficamos ricos este ano? :-D

Como no ano passado, não. ¯_(ツ)_/¯

Lucro não é o objetivo principal do evento.

Para a Codeminer, hoje OmniTrade, é um investimento.

Se você foi ao evento e não sabia: todos os palestrantes vieram por vontade própria. São voluntários que querem compartilhar sua experiência com o público. Se você conhece algum deles, não deixe de demonstrar sua gratidão!

O mesmo vale para as empresas parceiras. O patrocínio não é caro e é usado para cobrir parte dos custos do evento, para que possamos manter os preços dos ingressos os mais baixos possível. Veja o detalhamento:

RecursoCusto
Aluguel do Centro de Convenções Rebouças29.331,04
Áudio e Visual27.000,00
Cenografia22.000,00
Receptores de Áudio6.000,00
450 Camisetas6.000,00
700 Kits de Lanche10.000,00
Wi-Fi para Palestrantes2.500,00
Equipe de Segurança1.300,00
Designer2.500,00
Fotógrafo1.300,00
Organizador6.000,00
Custo Total108.931,02
Patrocinadores13.000,00
Receita de Ingressos36.000,00

Ficamos com um déficit de pelo menos R$ 59.931,00. Há outros custos menores que nem incluí na lista.

E quem paga essa conta?

Eu. Mais especificamente, minha empresa Codeminer 42 e a OmniTrade.

Mesmo assim, pretendo continuar organizando esse evento porque acreditamos que é importante criar um padrão, e porque é algo que me interessa pessoalmente. Ainda não existe nenhuma conferência no Brasil onde brasileiros falem em inglês.

Um exemplo? Algumas pessoas reclamaram um pouco — não foi uma crítica grave, mais uma observação — que certos palestrantes não tinham inglês perfeito.

Claro que não tinham. Até hoje não sabemos nem o que seria um bom sotaque “brasileiro” em inglês. Não existe linha de base. Não existe padrão para comparar. Não existe material suficiente em lugar nenhum. Claro que não dá para esperar o mesmo sotaque de quem nasceu e cresceu nos EUA — a gente não mora lá. Brasileiros naturalmente têm sotaque próprio.

Quando o InfoQ Brasil lançar os vídeos, serão cerca de 60 gravações. Os primeiros 60 vídeos de palestrantes brasileiros apresentando em inglês no Brasil. Não existe outro repositório assim na comunidade de tecnologia, e é por isso que achamos essencial continuar.

Antes do nosso evento, se alguém sugerisse fazer um meetup inteiramente em inglês, seria motivo de gozação. Pelo menos agora esse evento serve de referência e cria um novo padrão. Cheguei a sugerir que todos os grupos em qualquer lugar iniciem um #EnglishChallenge em suas comunidades.

Já vi alguns meetups seguindo esse modelo. É um excelente exercício. Todo programador deveria investir tempo aprendendo inglês para se manter à frente. E não precisam se sentir ridicularizados por isso. Quem disse que é preciso ir para o exterior para treinar o inglês?

Mais importante ainda: quase todos os presentes nesta conferência vieram por vontade própria. Estavam lá porque queriam, não porque alguém mandou. Quando perguntei quantas pessoas não eram de São Paulo, metade da plateia levantou a mão.

São pessoas que pensam à frente. É o mesmo tipo de pessoa que frequentava a minha primeira Rubyconf Brasil em 2008. Elas construíram um mercado inteiro na década seguinte.

Como sei disso? Eventos de tecnologia no Brasil costumam distribuir “certificados” de presença para que as empresas patrocinadoras saibam que seus funcionários participaram. A gente não distribui certificados, porque esse público não precisa deles.

Eles investiram seu dinheiro e seu tempo. É justo que a gente faça o mesmo.

Funcionou?

Está funcionando!

Tivemos mais de 300 pessoas no ano passado. Tivemos mais de 300 pessoas neste ano. Imagine: uma conferência extremamente nichada, focada em novas tecnologias, totalmente em inglês e sem tradução. É receita para o fracasso — e mesmo assim continua de pé.

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Já estamos planejando a edição de 2019. Sim, é preciso planejar com quase um ano de antecedência. Não dá para fazer um evento decente com menos tempo do que isso.

Como esse não é um evento com fins lucrativos, qualquer ajuda é bem-vinda. Como você pode ajudar?

  1. Fique de olho nas nossas redes sociais. O Call for Papers deve abrir por volta de março. Quando aparecer, ajude a divulgar para o maior número de pessoas possível. Quanto mais, melhor.

  2. Em 2019, provavelmente moveremos as datas de setembro para agosto por conta da agenda do espaço, então fique atento às novidades e, de novo, ajude divulgando o evento.

Como você pode ver: precisamos de mais gente falando mais sobre o evento. Você não tem ideia de como algo simples como um retweet ajuda. Marketing é uma das coisas mais caras e da qual os participantes não levam nada para casa. Ajude-nos a gastar menos com marketing e mais com as coisas do evento em si.

Se sua empresa tem interesse em ajudar com os custos, mande um e-mail para conversarmos. Nossa conferência não é cara, e esse público é muito promissor — vale o contato.

Resumindo:

A edição de 2018 encerrou! As preparações para a edição de 2019 já começaram. Vamos fazer da Terceira Edição a maior de todas!