[Off-Topic] O Mundo Hoje é Muito Bom! Feliz 2013!
Atualização 15/01: Saiu outro artigo, Why 2012 was the best year ever, dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer momento do passado. Por que não parece? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que espalham que o mundo está pior? Para se sentirem “heróis” por fazer “alguma coisa”, e para fazer você se sentir pior por não fazer como elas. Devemos sempre melhorar, claro, mas sem alarmismo irracional e pânico.
Resolvi começar 2013 com um artigo que espero que soe como uma mensagem positiva para o ano. A mensagem é simples:
O mundo hoje é bom, muito bom, e está ficando cada vez melhor.
Fico frustrado toda vez que vejo gente teoricamente “estudada” que prefere acreditar que o mundo está piorando, que estamos pior hoje do que ontem. Hoje somos “impessoais”, não brincamos mais na rua, perdemos a solidariedade, queimamos nossas florestas, todas as corporações são vilãs, o povo sofre mais.
Respeitosamente, discordo de todas essas ideias de que estamos piorando. Um motivo simbólico para escrever isto hoje é que atravessamos 2012, uma das últimas profecias conhecidas de “Fim dos Tempos”, como se não fosse nada (aliás, nunca foi nada mesmo).
Qualquer um que lê as notícias sabe que temos metrópoles cada vez mais superlotadas, surtos de violência o tempo todo em várias partes do mundo, guerras no Oriente Médio, intolerância religiosa e terrorismo, desastres naturais que “parecem” resultado do famigerado “Aquecimento Global”.
Tudo isso é verdade. E nada disso é sintoma de que o mundo está piorando.
O Mundo está melhor
A despeito de todas as profecias cataclísmicas, vou resumir rápido: o mundo é melhor hoje do que era 50 anos atrás, 100 anos atrás ou milênios atrás. Felizmente existe gente de ciência, fazendo pesquisa e trabalho sério, que acumulou dados durante anos a fio, e hoje dá para comparar item a item. Uma dessas organizações é a Gapminder, que disponibiliza tudo isso para você ver com os próprios olhos.
Recomendo assistir às palestras no TED de Hans Rosling interpretando esses dados. Ele demonstra como nas últimas décadas aumentamos a expectativa de vida da maioria das pessoas, melhoramos a qualidade de vida, reduzimos drasticamente a pobreza, a malnutrição e as diferenças. A grande maioria das pessoas hoje vive melhor, com mais conforto e por mais tempo.
A violência também está diminuindo, como mostra essa palestra do Steven Pinker no TED. O livro Abundance, de Peter H. Diamandis, traz ainda mais dados dessa nossa era de abundância.
E mesmo o tão temido Aquecimento Global é constantemente questionado. Muitos cientistas não estão convencidos com os dados que temos. E pouco importa se o Aquecimento Global é “real”: claramente existe gente ganhando muito dinheiro e notoriedade a partir do “medo” causado por esse possível fenômeno natural. Assista ao documentário Cool It, onde o pesquisador Bjorn Lomborg desmistifica item a item o que você, leitor deste blog, certamente ainda não parou para pensar.
Exemplo: se o Protocolo de Kyoto tivesse tido sucesso como os lobistas queriam, ele diminuiria a temperatura do mundo em apenas 0.008 graus Fahrenheit até 2100. E a política climática da União Europeia baixaria a temperatura em só 0.1 graus Fahrenheit, ao custo ridículo de USD 250 bilhões por ano pelo próximo século. Com metade desse dinheiro daria para acabar com a pobreza, a fome e as doenças do mundo.
Se todo mundo nos Estados Unidos passasse a dirigir um Prius, isso não cobriria nem 0.5% do carbono que tecnicamente deveria ser cortado até o meio do século. E se todos nos Estados Unidos usassem apenas lâmpadas econômicas, isso não cobriria nem 0.2% do carbono a ser cortado.
O comediante George Carlin foi quem explicou isso da forma mais clara que já vi:
Estão entendendo?
A Quem isso Beneficia?
Nenhum “pequeno ato”, como reciclar uma latinha de alumínio, faz muita diferença sozinho hoje (não se preocupe, também não faz mal por si só). O que realmente faz diferença são os avanços contínuos da ciência. Foi a experimentação disciplinada e o acúmulo de conhecimento que um dia nos levaram à agricultura, afastando a fome mesmo com a superpopulação do mundo.
Essa conquista vem regredindo com modas como a “comida orgânica”, que ignora anos de evolução da tecnologia agrônoma responsável por garantir que nossa geração existisse.
A razão deste artigo é questionar o óbvio: a quem tudo isso beneficia? A resposta mais fácil são as grandes corporações que sabem tirar vantagem financeira disso. Mas elas não são o problema. O problema são as pessoas que facilitam a vida das corporações, transformando toda discussão em julgamento moral.
Hoje em dia, se eu digo que não ajudo nenhuma causa “social”, viro culpado de alguma forma pela desgraça de alguém. Uma história que me perturba até hoje foi contada por um amigo que respeito muito. Ele é um empresário bem-sucedido e se sente um pouco culpado por ter mais do que os outros. Por isso, quando pode, oferece esmola e coisas do tipo. Um dia, se me lembro direito, um desses mendigos esnobou a esmola, e meu amigo não sabia se tinha o direito de se sentir tão frustrado quanto estava.
Essa é a minha longa discussão sobre os Direitos do Homem. E, para deixar bem claro, digo com todas as letras: não tenho nenhuma obrigação de ajudar ninguém, da mesma forma que ninguém tem obrigação de me ajudar.
A palavra-chave aqui é “obrigação”. Sempre tenho a escolha de ajudar ou não, mas nunca a obrigação. Exercer essa escolha é uma opção individual que não cabe a ninguém julgar.
O mundo é simples: tudo que produzi pelo meu esforço é meu e de mais ninguém. Se eu quiser doar a alguém, é escolha minha. Se eu quiser jogar fora, é outra escolha absolutamente válida minha. Ninguém tem direito a algo meu, e ninguém pode julgar o que faço com algo meu. A recíproca vale: nunca terei direito a nada de ninguém de graça, e nunca devo julgar o que os outros fazem com as próprias posses. É simples.
Esmola e doação são a mesma coisa. Vou dar a quem quiser, quando quiser e se quiser. E não julgo ninguém que doe ou que não doe. Agora, me irrita muito alguém ter a audácia de achar que pode me julgar pelo que faço com algo inteiramente meu.
Volte à minha história: por que esse meu amigo precisa se sentir “culpado” por algo de que não tem culpa? Tudo que ele ganhou foi pelo próprio esforço e suor, é dele. Mais do que isso, o trabalho dele possibilitou muitos empregos e até que outras empresas existissem, gerando riqueza indireta para muita gente. Por que ele precisa se sentir culpado por não dar de graça algo que é dele?
Essa é a prostituição da mente que quem trabalha sofre diariamente. Quanto mais trabalham, mais se esforçam e mais ganham, proporcionalmente mais se sentem culpados e julgados pelos outros. E quem são esses “outros”?
Este é o verdadeiro alvo do meu artigo. Quero expor quem se beneficia dessa orgia de falso altruísmo e ignorância. Gente carismática, que fala bonito, com discursos inspiradores (principalmente quem fala em justiça, inspiração e motivação), que usa muita hipérbole e apresenta quase nenhum dado de fonte confiável.
Todos usam os mesmos discursos, as mesmas formas pomposas e sem conteúdo. Mostram vídeos com o mundo se despedaçando, pessoas apáticas, criancinhas, repetindo os mesmos “Devemos…”, “Precisamos…” de sempre:
"Precisamos nos unir", "Precisamos ser mais solidários", "Precisamos nos preocupar mais", "Precisamos pensar no próximo", "Precisamos largar o celular e nos conectar de verdade", bla, bla.
BULLSHIT!
Qualquer um que diz muitos “Precisamos”, sempre na primeira pessoa do plural “nós”, claramente quer ser o ditador de um grupo. Alguém que sozinho tem pouca capacidade e por isso incita mais gente para ganhar a credibilidade das massas. E, a partir de um certo número de pessoas, tudo que ele disser parece ter alguma validade.
Isso só é possível porque permitimos. Porque não olhamos os dados, não procuramos os fatos, nos emocionamos por qualquer vídeo bem montado com animais, paisagens e crianças, especialmente se mostrar crianças em alguma região miserável do interior da África. Batemos palma para todos esses demagogos.
E sabe o que fazem esses demagogos quando têm massas atrás? Fazem todos que efetivamente trabalham, criam e produzem riqueza no mundo se sentirem culpados. Colocam a massa para olhar essas pessoas e pressioná-las a “compartilhar” a própria propriedade, fazendo-as se sentir mal caso não dividam. E fazem isso de um jeito “alegre”, quase festivo: põem o dono da propriedade no meio da massa e dizem coisas como “pessoal, esse cara não seria hiper-legal se doasse o que tem para nossa causa?”, batendo palmas e sorrindo com sarcasmo, ao mesmo tempo que envergonham e encurralam o produtor, sem saída.
Isso, senhores, chama-se estelionato. É uma atividade fraudulenta, criminosa e, obviamente, ofensiva. Vamos ser claros: não vou me sujeitar ao sofrimento de atos criminosos. E você também não deveria.
A lição aqui é simples. Se alguém vem falar de outra pessoa ou grupo, faça a pergunta: “a quem isso beneficia?”. Se alguém diz “a empresa tal deve estar falindo, já que não tem dinheiro nem para doar para essa causa social tão importante”, por que essa pessoa que repassa a informação se importa? A quem isso beneficia? E vire a pergunta: por que uma empresa não doar significaria necessariamente que ela está mal financeiramente? A alternativa mais óbvia, “a empresa não tem interesse em doações”, parece “moralmente ruim” demais para ser considerada. E é justamente ela a mais provável. Só que chegamos num ponto tão degradante da moral que essa escolha é quase tratada como crime.

Não caia na conversa
Por isso, prestem atenção: o mundo hoje é melhor do que ontem. Não tenha dúvida disso. Doar e participar de causas sociais são coisas válidas. Mas julgar os outros por não participarem é crime.
Qualquer empresa, qualquer trabalhador realiza uma operação muito simples: trocas. Um trabalhador troca o valor do que produziu por dinheiro. Uma empresa troca um produto por dinheiro. E quem participa de causas sociais troca a própria capacidade de trabalho por outro tipo de moeda: consciência. Toda doação é uma transação do seu dinheiro ou das suas posses por “você se sentir bem consigo mesmo”. É uma troca comercial como qualquer outra. Afinal, você já viu alguém doar com o objetivo de se sentir mal depois?
Isso fica mais óbvio quando você encontra os famigerados solidários de fim de semana. Gente que quer comprar karma positivo por estar frustrada, deprimida, infeliz consigo mesma. Aí resolve participar dos movimentos de “salvar o mundo”, doar dinheiro, doar tempo, doar trabalho. Mas assim que se cansam, já estão na praia, num churrasco jogando futebol, debaixo do sol na piscina. Só que agora estão “moralmente com crédito” e se colocam na posição de julgar os outros com um “eu ajudei e você não”.
Só para constar, não estou falando de todos que são solidários. Muitos levam isso a sério de verdade e, na maioria dos casos, são anônimos, porque não estão nisso para chamar atenção, e sim para ajudar. Mas o tipo de que falo está no negócio de “se sentir bem”, e isso pede atenção, pede dizer para os outros como são boas pessoas, como todos deveriam imitá-los para se sentir bem igual. Como viciados oferecendo drogas porque elas fazem se sentir bem.
E elas estão preocupadas com as criancinhas? Veja o trauma que as estão fazendo passar contando falsas histórias de fim do mundo:
A existência de pessoas assim é, justamente, mais uma evidência de como nossos tempos são melhores. No começo do século XX ninguém daria atenção a “causas sociais” como hoje: muitos sequer tinham o que comer direito, não tinham roupas, morriam de doenças comuns.
Só que esse grupo está cada vez mais incômodo e chato. Se não ficou claro, sou totalmente a favor de causas sociais sérias, e detesto os hipsters solidários de fim de semana. Existem movimentos sérios que merecem respeito sendo manchados por esses grupos. Quer mesmo se dedicar a uma causa? Junte-se a organizações como a Cruz Vermelha, trabalhe nisso em tempo integral e nunca force ninguém, física ou moralmente, a tomar a mesma decisão que você.
Isso vale para causas sociais e para qualquer tipo de “causa”. Fiquem espertos para variar: tem muita gente esperta querendo que você faça o trabalho sujo por ela. Desconfie de qualquer um que fale por “nós”, pelo “bem de todos” ou por qualquer demagogia barata do tipo.
O mundo hoje é melhor, verifique os dados, e está ficando cada vez melhor. Tudo que precisamos fazer é trabalhar e produzir mais e mais riqueza. Foi produzindo que o mundo chegou até aqui, e é produzindo que vai continuar melhorando. Retirar riqueza dos outros, o que muitos chamam eufemisticamente de “compartilhar”, nunca foi o caminho.


