Novamente, o Twitter ficou um bom tempo fora do ar, deixando milhares de pessoas bastante irritadas, e com razão.
Novamente, o TechCrunch e outros pundits começaram a rolar suas máquinas de FUD: “a culpa é do Rails: Rails não escala.” nhé, nhé, nhé.
Antes de mais nada, os problemas do Twitter tem duas naturezas: ou acabou o dinheiro e, nesse caso, não há o que fazer; ou eles tem realmente problemas arquiteturais sérios que não tem a ver com Rails. Para começar eles já usam um mix de linguagens e tecnologias, PHP, Erlang, etc. Rails é apenas uma delas.
Muitos acham que Twitter = website, e website = Rails, portanto Twitter = Rails. Isso está errado. Twitter é uma plataforma de mensageria. Para os javeiros, estamos falando de coisas como JMS, e não HTTP. Exemplo, um dos componentes dessa plataforma são servidores Jabber, para broadcast para clientes de instant messaging.
Outro FUD grave: “Twitter é a maior aplicação Rails, que bela propaganda para o Rails …” Está também errado. Segundo esta compilação, baseada no Alexa, o topo da lista é o seguinte:
- Scribd (serviço de upload)
- Yellow Pages (as Páginas Amarelas!)
- Hulu (serviço de mídia da NBC)
- Penny Arcade (não tenho nem idéia do que seja :-)
- AboutUs (serviço de network de Wiki)
- Twitter (aqui está ele: 6o. lugar!!)
Fora eles, pouco abaixo estão outros sites que muita gente usa ou já viu e nem sabe que é feito em Rails, como o SlideShare, Guitar Hero, Gravatar, Feed Digest. Portanto, não, o Twitter não é o mais usado, porém os pundits adoram, pois é uma boa desculpa para colocar as palavras “Rails” e “não escala” na mesma frase sem parecer muito cara de pau.
Os problemas do Twitter são particulares do Twitter e de toda aplicação mal estruturada (seja tecnicamente e financeiramente). A lista que linkei acima tem apenas os Top 100. Na Working with Rails há uma lista muito maior, dentre elas 395 americanos e 30 brasileiros.
O objetivo da TechCrunch: imprensa marrom. O objetivo dos pundits: aliviar a dor de cotovelo. Resumindo: invejinha barata (ou “de barata”).
O blog Dare Obasanjo tem uma análise (especulativa) interessante que deve ajudar os iniciantes a entender os perigos de um conceito que parece tão simples quanto “followers” (seguidores).
Segue a tradução: